Historia de Outros Finais

A três anos que Fernando tentava conseguir a Joyce, não por incompetência dele mas porque ele decidiu jogar um jogo mais lento e profundo aumentando a cada encontro a paixão entre os dois ate um ponto onde a tensão sexual era tão grossa que podia se cortar com uma faca.

Na manha do fim Fernando acordou contente, ele teve um dia tão normal quanto qualquer outro a diferença é que de madrugada ele caiu exausto e suado ao lado do corpo exausto, nu e suado da Joyce.

-A tanto tempo que quero isso, se você soubesse quanto eu te queria naquela noite na festa do Adalberto. Falou a Joyce assim que conseguiu recuperar o seu fôlego.

-Eu te quero desde a primeira vez que pus meus olhos sobre você, e continuo desejando você… E suas coxas… Fernando fez uma pausa enquanto acariciava as pernas e subia lentamente até os peitos descobertos da Joyce.

-Seus peitos… Correndo o risco de ser incrivelmente piegas e clichê, se morrer agora morrerei feliz. Mentiu por ultima vez Fernando.

E naquele instante o mundo deixou de existir, não foi numa grande explosão ou um cometa do tamanho de Júpiter o que destruí o mundo, ele simplesmente se desfez em milhões de bolhas de, basicamente, carbono. Como por capricho de algum poeta vogon.

O mundo e com ele o continente americano, e com ele o pais brasil, e com ele a cidade onde eles estavam e com a cidade a casa onde eles tinham passado os últimos 65 minutos, e com a casa Joyce e Fernando deixaram de existir.

Fernando não entendeu a ironia das suas ultimas palavras, nem mesmo quando compreendeu que estava se desfazendo em bolhas de carbono.

Contos de outros carnavais

Arde como arde a madrugada

O único som da sala inteira era o do final do cigarro de um homem queimando, que lentamente se consumiu. Um blues rítmico e entediante voltou a ecoar na sala, uma única luz iluminava a meia luz o rosto deste homem que lentamente levantou o seu copo e terminou de um gole à cerveja.

- Sinto que este é o final de uma noite perdida, sabe isso só se percebe ao fio frio e limpo da madrugada. Disse ele.

Ela apagou o seu cigarro sobre a barra do bar e inclinou o seus ombros para a frente e esboçou um sorriso.

- Porque essa melancolia? Não estive essa noite inteira com você? Respondeu ela.

O bar estava completamente vazio, ou ela achava isso parecia. Não sabia dizer que horas eram, só sabia que era de madrugada porque ele tinha dito.

- Tenho esse gosto amargo de despedida na boca que nem muita bebida conseguiu lavar. Eu peguei a minha maldição e a bebi. Tudo isso pode parecer apenas uns delírios de um bêbado,

mas se não bebemos qual o sentido de chegar a velhos? Disse ele.

- Te entendo e te adoro. Respondeu ela enquanto enroscava os seus braços ao redor do seu pescoço e inclinava o seu rosto para perto do dele, a fim de sentir a sua respiração sobre a sua bochecha.

O dono empurrava os últimos clientes para fora do seu bar, separou os dois de um empurrão e os deixou na rua.

- Malditas 6 da manha das noites perdidas nessa hora tudo tem nome de mulher, essa sensação queima como o gaz azul dos isqueiros, e se você quiser eu a troco por um tempinho na sua cama. Falava ele enquanto colocava o seu braço na cintura dela.

- Só se você prometer que vai continuar a me dizer essas estupideces de bêbado ao meu ouvido, que o meu coração adora. Respondeu ela, exibindo um sorriso sem mostrar os dentes.

- Não estou aqui com você pelo seu coração, mas pelas seus quadris. Falou sorrindo enquanto a beijava.

Coffee Table.

-Eram as duas da manha. Adalberto fumava o ultimo cigarro da noite, ele fumava como se estivesse fazendo algum tipo de ritual, despedindo-se da noite como quem se despede de uma grande amiga. E foi então que ele a viu, ali parada entre a parede do clube e um carro. Assim ela entrou nas nossas vidas.

Parou um momento de falar e bebeu um gole do café que tinha acabado de ser colocado na sua frente.

Ela o olhava indecisa, sem entender porque ele falava com tanto entusiasmo, nem porque ela estava tão interessada em saber a continuação da historia

-Adalberto e ela namoraram umas semanas, e terminaram em bons termos. Ou pelo menos era isso que nos achávamos que tinha ocorrido, achávamos que era a ultima vez que veríamos aquela morena de nariz arrebitado e de pequena e firme bunda que tanto causava fascinação a todos. Ele fez uma pequena pausa. 

-O segundo foi Ferreira, ele não tentou de nenhuma maneira manter a relação com a baixinha em segredo. Continuou ele.

-Raul, pera ai, o Adalberto não ficou brabo com a situação, nem foi pedir satisfação ao Ferreira? Interrompeu ela.

-Sim, isso aconteceu. continuou Raul enquanto pedia uma porção de batatas.

-Acontece que eu nunca entendi bem o que aconteceu, mas parece que o Ferreira foi brigar com o Adalberto por algum motivo que ninguém nunca entendeu fora eles dois o que desencadeou uma serie de disputas entre todos. E ela como era de se esperar cansou-se do Ferreira e passou para o carlos e depois para o luiz, e assim ela foi escalando e subindo em cada um de nos, ate conquistar-nos e jogar-nos um por um.

As batatas tinham chegado a mesa então ele interrompeu a historia para comer um bom bocado, enquanto Fernanda o olhava como um cachorro que olha um prato de comida.

-Eu, a diferença de todos os outros, nunca tive uma grande atração física para ela, me fascinava o poder que ela tinha em todos nos, a capacidade de fazer que qualquer um de nos independente d’ gente saber que era errado ou não, acabávamos caindo na armadilha dela…

-Ela tinha conseguido todos os caras, todos menos um. Raul dice enquanto tirava um guardanapo e o entregava a Fernanda.

Fernanda leu o papel, nele havia uma lista de uns 13 nomes. O papel era velho e tinha o aspecto de ter passado os ultimos 5 anos numa carteira, todos os nomes estavam riscados, menos um o do Raul.

-Então você foi o unico que ela não conseguiu? Perguntou ela, querendo achar o final dessa historia.

-Ela sumiu durante alguns anos, e todos nos esquecemos dela. Menos o Adalberto que ficou se sentindo culpado depois de ter quebrado o nariz do Ferreira, mas sempre me fascinou como nenhum deles podia resistir a baixinha. Bom hoje eu entro em casa e encontro na mesa da cozinha o seguinte papel. Ele tira um outro papel do bolso e lhe entrega.

Fernanda le o papel cuidadosamente, como com medo de perder uma palavra, enquanto fica boquiaberta. E depois de ler-o o leu de novo em voz alta

-Sr. Raul, por favor lembre-se de comprar o detergente. Ligaram do seu trabalho e falaram que segunda resolvem. Ligou uma tal de baixinha e falou que ela precisa te ver. Acabou não tem mais bilhete, e agora? O que acontece? Perguntou ela.

-Eu estive dando voltar no assunto o dia todo, é incrível, estou completamente obcecado. O problema é que se eu ligo pra ela e marco um dia, crio uma puta de uma polêmica no grupo, senão vou ficar pra sempre sem saber qual o grande segredo da sua sedução, o que ela tem de tão doce que vicia a todos os homens. E o pior é que ela não é nem um pouquinho atrativa aos meus olhos, é uma garota normal, que me tem completamente obcecado.

Minhas opulentas desculpas

Na verdade eu não quero me desculpar, mas como vocês gostam de ver alguem se desculpando eu coloquei essa palavra.

Na verdade eu queria notificar que eu sai do meu coma criativo, os motivos que me obrigaram a parar de escrever foram muitos, e alguns muito pessoais, como para que eu poste eles aqui. Mas agora eu voltei de viajem e tenho, como sempre que volto de viajem, toneladas de material para fazer historias para o divertimento de vocês.

Finalizando, não esperem que eu poste um conto novo todos os dias, porque eu não funciono assim, mas sincera mente vou tentar que não passe de duas semanas sem novidades.

Sejam amáveis comigo e divulgue os meus contos.

David.

Nunca vou lhe deixar, nunca vou fazer você sofrer

A casa está vazia, silenciosa, como ele queria naquele dia. Tudo naquele dia, desde que ele acordou tinha dado errado. Agora ele só queria terminar de preparar aquela bebida e beber-a, sentado no seu sofá.

-Oi! Querido, você chegou?! Eu preciso falar com você! Sabe o que aquela vadia do caixa da farmácia fez, ela… Falou ela

-Por favor, faz silencio. Interrompeu ele.

-E as crianças que querem sempre brincar.. Continuava ela cada vez mais excitada, sem se importar com as suplicas dele. 

-Cala a boca… Cala a Boca!

Ela continuava, cuspido reclamações com uma voz cada vez mais aguda.

-Porra! Cala a boca caralho! Falou ele enquanto jogava o copo contra a parede.

O copo se fez pedaços, ele se levantou e se dirigiu a porta

-Onde você vai! gritou ela.

-Estou deixando você. Respondeu ele

-Não você não vai!

Ele acordou ao lado dela, lhe pareceu linda, lhe pareceu a melhor coisa que já tinha lhe acontecido na vida

-Eu te amo, você é perfeita, você é linda, é tudo que eu sempre quis da vida, se eu pudesse viver o resto da minha vida com você nos meus braços seria a pessoa mais feliz do mundo, você faz com que a chateação que é viver seja mais suportável. Falava ele, enquanto a abraçava

-Adalberto, Eu quero o divórcio.

O banheiro

Acordou com uma sacudida, e uma dor se espalhou pelo seu pescoço como um golpe. Na boca ele ainda tinha o gosto de whisky misturado com vomito, na roupa ele tinha um perfume femenino e tudo estava muito escuro.

Ele esfregou os olhos com uma mão e com a outra sondou o chão a fim de achar algo firme para se levantar, em vez disso ele achou uma porta. Ele se levantou, abriu a porta e com a luz que entrava percebeu que tinha passado a noite num banheiro quimico.

Ele procurou o seu celular sem sucesso, mas achou uns óculos em seu lugar, o que lhe veio de bom grado já que ele sentia o profundo chute de uma ressaca e o ardor da luz do dia em seus olhos.

Ele começou a andar lentamente em direção de sua casa, andou por 30 minutos ate perceber que não estava em sua cidade.

As pessoas dali ao seu redor falavam um língua estranha, e se vestiam apenas com meias, o que resultou em uma serie de comentários e risadinhas enquanto ele caminhava pela cidade usando um jeans e uma camiseta.

E nesse limbo estranho ele passou os seguintes 7 anos da vida dele, voltando depois a sua cidade natal por meio de embriagues. Aprendeu os costumes da região, deixou de usar roupas e passou os intermináveis dias em um sem-fim de festas e orgias. 

Frio

As suas costas estavam frias, muito frias, por causa disso, o ar ao entrar em seus pulmões lhe deixava um gosto como de agua suja na boca. Aos poucos ele foi acordando, esticando os músculos e abrindo os olhos. Demorou algo ao redor de 2 minutos para que ele finalmente termine de acordar e perceber onde ele estava, no chão.

Ele estava com frio, nú e algo suado no chão de algum quarto com um cobertor lhe cobrindo parcialmente.

-Tem algo mais deprimente do que acordar sozinho, no chão de um quarto? Pensou para si mesmo.

Alguém abriu uma porta com um sonoro rangido e entrou, deu alguns passos ate ficar na linha de visão dele.

-Bom, não mais acordar sozinho. Voltou a pensar ele.

-Dormiu bem? Ela se abaixou e lhe deu um beijo. Ela não era feia, na verdade era muito bonita, pensou ele.

Ela falou mais alguma coisa e saiu, ele não ouviu. Ele procurou pelas suas calças e o resto das coisas com os seus olhos e não achou nada.

Nada, três horas mais tarde ele estava na rua, sentando-se em um café de esquina tentando juntar os pequenos restos de lembrança que tinha.

-Nada… Concluiu ao fim quase num sussurro. -Não tenho nenhuma lembrança dela nem de ontem, nem da semana passada… Nada.

Life in a cubicle

Ele balança de um lado ao outro lentamente, num ritmo quase hipnótico. Perde o equilibro e cai de cabeça contra a mesa do computador, o que o faz acordar instantaneamente. Ele levanta, esfrega a cabeça, olha ao redor.

Ninguém estava olhando pra ele, todos absortos em suas próprias merdas. Olha para o PC de seu cubículo, sente os raios catódicos queimar-le a face. O olhos ardem, o corpo arde, tudo arde, como se tivesse corrido 10 quilômetros logo depois de acordar.

O chefe chegou, atirou uns papeis na mesa e gritou, gritou que ficou vermelho e uma veia pulou do seu pescoço, ele não ouvia mais os gritos. Ele pegou os papeis e sentiu uma forte vontade de matar o seu chefe, baixou os olhos e sentiu o instinto assassino baixar. Viu o seu chefe ir embora, voltou a olhar para a tela do PC e a sentir os raios catódicos fazendo cócegas no seu rosto.

Metalinguagem

Estou debruçado sobre a mesa de trabalho. Busco entre minhas memoriais uma emoção para fingir e que passe a ser deveras uma emoção, finjo o que não sinto e passo a sentir a emoção.

-Nah! Exclamo em quase um gemido, enquanto arremesso a caneta com uma força desnecessária contra a mesa.

Levanto e vou ate a janela, procuro uma dor, nem que seja alheia para reproduzir… Nada, nem mesmo uma irritação. A unica dor consigo perceber e a dor de não conseguir escrever, e assim vou escrevendo sobre a dor que deveras sinto. Como olhar a um espelho dentro de um espelho.

Filha do Diabo

-Ah é? é o que a filha do Diabo faz num livraria? Você não tem um conhecimento infinito sobre tudo? Falou ele entre risos.

-Bom, eu gosto do Veríssimo. Falou ela sorrindo.

Pensando bem, agora ele tinha percebido a coloração vermelha da sua pele, a cauda e os chifres. O fato dela ser a filha do diabo, lhe pareceu cada vez mais atraente.

-Nesse caso.. Falou ele se inclinando para frente enquanto ela copiava o seu gesto. -Me diz uma coisa?

-Digo, claro.

Ele se inclinou mais um pouco, e falou algo sussurrando no seu ouvido. Se afastou enquanto ela ria.

-Quer saber? Você é igual ao que eu tinha imaginado, os chifres, os peitos… Os peitos principalmente.

-Que tarado! Pare de olhar para os meus peitos! Falou ela, parecendo ofendida.

-Que? Você é a filha do diabo! Não me diga que acredita naquela baboseira de moral e ética? 

-Bom.. Ela falou isso, com um sorriso que foi tão fantástico que somente um parente do diabo podia fazer.

Anos depois alguém lhe perguntou como era ter um relacionamento estável com a filha do Diabo.

-Uma familia você ganha e a outra você inventa, você procura garotas e se atraca naquela que com você se parece mais… Essa menina é tão boa e tão viciosa ao mesmo tempo, que as vezes eu a busco e outras eu a quero perder…

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